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15.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana

A minha convidada de hoje é uma eterna surpresa. Sempre que vou ao seu blog não sei o que me espera. Pode ser um desafio, uma fotografia artística de um jogador de râguebi, uma bela imagem com um texto lindíssimo, ou mesmo um texto pessoal, onde revela parte do seu íntimo.

Quando a convidei, foi com o mesmo espírito que o fiz, esperando ansiosamente o resultado surpresa. E, como seria de esperar, não defraudou as minhas expectativas, escrevendo com a sua linguagem directa, incisiva e despudorada de sempre.

Depois desta descrição, já todos devem saber de quem estou a falar: da Hipatia e da sua Voz em fuga. Uma "voz" que não me canso de "ouvir", e da qual não há fuga possível. Mas isto sou eu a falar, eu sou suspeito, sou um fã incondicional deste blog, mesmo quando as fotografias não me interessam...

Até à meia-noite

(até à meia-noite, disse ele. Até à meia-noite? Bolas! 23:34h. O que se escreve em menos de meia hora? Vamos lá ver o que sai.)

Talvez a sorte tenha sido eu estar a ver o .Saltos Altos. do Almodóvar. É sempre um bom começo. Até porque o filme surpreende-me sempre, naquele entrelaçado de emoções, naquela confusão de sentimentos e a voz da Luz Casal em pano de fundo: .piensa en mi, cuando llores.. .piensa en mi, cuando sufras.. .piensa en mi..

(só me questiono se o Jorge estará bom das ideias para me pedir um texto numa altura em que são músicas como esta que me deixam mais perto das lágrimas.)

Mas voltando ao filme. O mais curioso sempre foi para mim a figura do juiz, que se mascara dos seus próprios informadores. E o estranho que sempre me pareceu que apenas um bigode e barba postiços, juntamente com uns óculos de sol (horríveis, por sinal), fossem motivo suficiente para que ninguém o identificasse, incluindo todas as mulheres com quem ia dormindo ao longo do caminho. E isto vai ao ponto de haver um artifício identificativo da personagem: um sinal na glande.

Já sei, já sei: é filme. E é um Almodóvar, ainda por cima. Não é para levar a sério nem procurar entender estas particularidades. Mas que é estranho, é. E não abona nada a favor da capacidade de observação feminina. Porque é mesmo um disparate pegado.

Ou não seria um absurdo de todo o tamanho andarmos para aí a solicitar um breve descer de calças masculino para identificar pelos sinais presumíveis na ponta da pila os juízes do nosso destino?

(Bolas! Será que se pode escrever sobre pilas no 6 em 1? Bem, já escrevi. Agora é lá com o Jorge. Quem anda à chuva molha-se e assim. Pelo menos são 23:47h e já tenho um texto para mandar.)


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