10.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana
É assim o meu blog convidado da semana, um blog que dispensa mais palavras, pois tudo o que se poderia dizer sobre ele jamais lhe faria justiça. Assim é o Charquinho.
COM REGRAS
Sem regras, disse-me ele. Convidou-me para postar no seu espaço e não me pediu empenho, ofereceu-me liberdade de expressão. E exibiu confiança na minha capacidade e discernimento para postar à altura do blogue que criou.
Escolhi a confiança como tema para esta ocasião especial. Por ser um tema preponderante nesta nossa comunidade, na maioria anónima, e para homenagear o gesto do meu anfitrião.
As relações entre blogueiros são construídas passo a passo, com base no grau de confiança que se desenvolve a partir das palavras (a única arma de que dispomos para nos desenhar) e de algumas acções.
A caixa de comentários é a primeira prova de fogo para um blogueiro maçarico. E constitui o ponto de partida para o contacto entre quem bloga. Pelo teor dos comentários recolhemos a primeira impressão de quem se predispõe a comunicar e, ao fim de algum tempo que confirma a coerência e consolida a primeira opinião, começamos a traçar um perfil.
A caixa de comentários é o equivalente à mesa de um café, onde o destino também nos pode sentar com todo o tipo de pessoas.
A troca de emails é o passo natural a seguir. Mesmo depois de gerada alguma empatia e existindo pretextos para aprofundar a relação virtual, convertendo-a de pública em privada, não é um passo tão simples como possa parecer. Ao nível da blogosfera, a confiança necessária para se enviar e sobretudo para responder a um email equivale quase à de um telefonema (fora do contexto em que nos situamos). E nesta linha de comparação, divulgar o endereço do dia a dia (em regra diferente do hotmail ou do iol que usamos na blogosfera) é como partilhar o telefone fixo depois de algum tempo a falar pelo telemóvel.
Nesta fase da nossa relação a confiança já assume um papel absolutamente fundamental. Por email mantêm-se as conversas que queremos afastadas do domínio geral (o dos comentários) e, por norma, algo mais importantes para nós. Temos que acreditar no sigilo, na discrição de quem passa a partilhar connosco algumas confidências.
Só depois, a pretexto de um encontro de blogueiros ou na sequência do contacto por email, vem o "temível" confronto com a pessoa tal como ela é. E aqui, só mesmo com um grau de confiança que não é fácil de obter apenas com palavras. Sabemos mais uns dos outros do que a maioria das pessoas que partilham o nosso quotidiano, mas encaramos sempre um rosto estranho nesses (quase) .blind dates.. É uma sensação curiosa, mas quebrado o gelo não tarda a impor-se um grau de intimidade equivalente (existem excepções óbvias) ao que se desenvolveu no suporte electrónico da nossa comunicação.
No meio disto tudo estão os blogues que fazemos, a expressão mais tangível do que valemos ou apenas do que queremos parecer. E ao contrário do que se pensa, também no que postamos encontram-se elementos que podem desmistificar ou certificar a essência da pessoa que bloga. Tendemos a minimizar essa fonte de referências por assumirmos que todos jogam à defesa no que postam, quando afinal é aí que mais nos revelamos. Nem que seja pelas contradições que só podemos justificar assumindo uma mentira qualquer, no que postamos ou no que dizemos nas caixas ou por email. Por isso prefiro os blogues que reflectem os seus autores e não uma personagem irreal, um carácter diferente do que o da pessoa por detrás do monitor.
A confiança, ofereço-a e aceito-a na blogosfera com base nos critérios que citei. Mais o respeito por algumas regras elementares da ética própria deste grupo (conjunto de grupos, aliás), directamente relacionadas ou equiparáveis com as que aplicamos "lá fora".
E porque já me estiquei no lençol e assim acabo de abusar da confiança do anfitrião, refiro em meu abono que se deve apenas ao facto de me sentir tão à vontade na casa dele como na minha.
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