8.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana
Sinais Exteriores de Ternura
Há uns dias precisei de confirmar uma citação e fui reler os poemas do Zé Gomes Ferreira acabando por ficar colada ao livro, a relembrar passados. A poesia tem muito essa força, agarra-nos e atira-nos para memórias antigas.
Logo quando abri o livro, o olhar caiu numa poesia onde primeiro verso, .dá-me a tua mão. desencadeou montes de recordações.
O mundo da ternura é enorme mas é de grande delicadeza. E o gesto de .dar a mão. sendo dos mais puros, mais limpos, é um dos que mais me perturba. É certo que se começa por dar a mão quando se é criança e é um gesto de confiança e entrega. Quando damos a mão a um adulto acreditamos que estamos protegidos, que estamos a salvo do mal, é um gesto muito doce.
Mais tarde, ainda criança mas noutra fase, mais crescidos, e entre amigos, é cumplicidade e é algo de indizível.
Nunca hei-de esquecer uma menina dos seus 10 anos que, transferida por necessidade para uma terra estranha e uma escola desconhecida, sentindo-se muito infeliz, queixava-se à mãe com uma vozinha a tremer .Mas, mãe, eu cá não tenho uma amiga-de-dar-a-mão !.
E, depois, em adulto, é um gesto no limiar do gesto erótico, mas mesmo no limiar. Está naquela margem onde tudo é ainda permitido, se pode ousar, se pode sonhar, mas se pode também ainda recuar. É um toque muito expressivo, mas inocente. Deixem-me dizer que, para mim, é talvez de todos o gesto mais sensual. Exactamente por tudo ser ainda permitido.
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