7.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana
Crónica de inválido
Hoje estou entrevadinho, estendido na cama a escrever no PowerBook, a
distrair-me das dores. Tudo por causa do meu gato Peúgas e logo por uma
coisa a que lhe acho muito piada, o de ser o meu relógio de sol.
Fronteira à minha escada fica uma grande janela, dois andares de
altura, a receber sol todo o dia, de ângulos diferentes. O Peúgas é
sabido e passa todo o dia esparramado num degrau da escada, o mais
ensolarado. Quando conto os degraus até ao dele, já sei que horas são.
Que ninguém se atreva a enxotá-lo. Quem quer passar, que galgue dois
degraus. Foi o que fiz mas tropeguei os pés, grande estenderete e uma
contusão valente numa perna. Para perceber bem o que tinha, lá fui a um
dos meus livros de Medicina. Afinal, tenho um "oedema, tumor branco,
inerte, molle, insensível, causado por hum humor fleumático, infiltrado
no tecido da pele e sobre o qual fica a impressão do dedo, quando se
lhe carrega".
Tudo isto vem em "O Enfermo", obra dirigida principalmente aos RR.
párocos para assistência aos enfermos na última agonia (salvo seja!),
dedicada à Sagrada Família Jesus, Maria, José, por Francisco José de
Campos, bacharel pela Universidade de Coimbra, e dada à estampa em
MDCCXXV.
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