6.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana
Boletim meteorológico
Há dois anos que vivo com o José e o Mathis. Raramente nos víamos de manhã. O Mathis, fazendo jus às suas raízes germânicas, não se levanta depois das sete da manhã. Apanha o autocarro das oito. Eu acordo às 8.30 e saio uma hora depois. O José, orgulhoso do seu sangue hispânico, nunca se levantava antes do meio-dia. Só à noite nos víamos. Este semestre tem sido diferente.
Hoje, acordei com o José a arfar na sala. Não é a primeira vez. Tinha a televisão ligada num canal hispânico. Por volta das oito e meia da manhã, anunciam o calor. O José apaixonou-se pela menina do boletim meteorológico. Uma venezuelana de corpo quente por quem o José madruga e arfa matinalmente. Depois, toma o pequeno-almoço comigo e volta para a cama.
Como regresso a Portugal em Julho, o José e o Mathis procuram um roommate que me substitua. Uma, aliás. A preferida era a Erica. Uma das moças mais bonitas do departamento. A sua ascendência chinesa desperta muitas fantasias. O José, apesar das suas duas namoradas e da menina do boletim meteorológico, que anuncia o calor, também se apaixonou pela Erica. Muito amor...
A Erica é uma aluna do segundo ano. O namorado estuda na Escola de Direito. Vieram juntos e viviam juntos. Romperam o namoro pelo Natal. Mal se espalhou a notícia, saltaram sete cães a um osso. Sei o nome de dois deles. José e Patrick. O Patrick desistiu rapidamente. O José, mais persistente, convidou-a para tomar o meu lugar.
Na semana passada, a Erica reatou o namoro com o Bill. Não querendo viver juntos, a Erica continua à procura de apartamento. Ainda não respondeu ao convite do José, que, coitado, bem o quer retirar. Mas o Mathis não deixa.
A ChingMei foi outra das paixões falhadas do José. Tem azar com as chinesas. Um tributo à inteligência delas. Em Novembro, fui com a Sandra, e mais seis amigos da Cornell, ao casamento da Chingmei. Em Taiwan. Num dos nossos passeios pela ilha, ficámos no Grand Formosa Hotel. Dentro do hotel, havia umas piscinas de águas quentes, vindas directamente das profundezas da ilha. Teríamos também direito a umas massagens regeneradoras.
Não tínhamos levado fato-de-banho. Tentámos comprar à entrada. Não era necessário. Entrava-se nu. Entreolhámo-nos. Haveria coragem para ir para uma piscina de nudistas?... Eu e a Sandra resolvemos avançar. Dizem-nos então que as piscinas eram separadas. Homens para um lado, mulheres para o outro. Viemo-nos embora.
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