5.ª semana, 4.º dia - o comentário político da semana
Domingo, 20 de Fevereiro, houve eleições. Depois de todas as sondagens, de todas as certezas dos candidatos, de todos os comentários políticos, chegou a hora em que não há dúvidas sobre quem foram os vencedores e os vencidos. Três dias depois, já todos os comentadores sérios (e também o Luís Delgado) já fizeram este comentário em tom sério. Por isso, só me resta faze-lo em tom de brincadeira, embora falando a sério (um pouco ao contrário de Pedro Santana Lopes, que dizia aquela piada "Domingo vamos ganhar" com tom sério).
GRANDES VENCEDORES
- José Sócrates. Ganhou primeiro o partido, depois o país. Teve uma estratégia de contenção a toda a prova, soube transformar os boatos a seu favor, soube dramatizar quanto baste, teve a coragem de pedir uma maioria absoluta e ganhou-a. Agora tem uma grande responsabilidade nas mãos, tem que mostrar que a mereceu.
- PSD. Livrou-se primeiro de Durão Barroso, agora de Santana Lopes.
- Durão Barroso. Trocou os assobios e desgraça nacionais pelas palmas e regalias europeias, dizendo que era para o bem do país. Foi mais inteligente que Guterres: fugiu, mas em grande estilo...
OUTROS VENCEDORES
- Francisco Louçã. Depois da infeliz declaração sobre o desconhecimento de Paulo Portas em relação à geração de vidas, soube recuperar, tendo sido bastante convincente quanto às suas capacidades no debate a cinco, digo, quatro.
- Ortodoxos do PCP. Se o PCP tivesse um mau resultado, ou se tivesse ficado atrás do Bloco de Esquerda, mostraria ao PCP que devia renovar-se. Com este bom resultado, os ortodoxos venceram.
- Guterres. Acabou por reaparecer e limpar a imagem. A sua fuga simples, comparada com a elaborada de Durão Barroso, acaba por desculpá-lo relativamente ao eleitorado. Se este protagonismo que Sócrates deu a Guterres foi um teste, este pode ter-se lançado definitivamente na corrida às eleições presidenciais.
- Jorge Sampaio. Conseguiu, quase sozinho, enterrar definitivamente qualquer ideia que pudesse existir de que Pedro Santana Lopes seria competente.
GRANDES VENCIDOS
- Pedro Santana Lopes. Depois de ter conseguido ultrapassar o Princípio de Peter, isto é, ter subido muito acima do que a sua competência permitiria, perdeu em toda a linha. O país não o quer, o partido não o quer, duvido que Lisboa o queira, só lhe resta o Luís Delgado...
- Paulo Portas. O seu discurso "de feira" já cansava, mas continuava a conquistar alguns votos. Ficar atrás da CDU e um pouco à frente do Bloco de Esquerda, foi o seu fim.
- Renovadores do PCP. Durante quatro anos, o PCP vai continuar na mesma.
OUTROS VENCIDOS
- Luís Delgado. Penso que não é preciso explicar nada, pois não?
- Pacheco Pereira. Foi um dos perdedores, a partir do momento em que disse cobras e lagartos de Pedro Santana Lopes e depois afirmou que ia votar nele. Se houvesse um prémio para a incoerência, seria para ele (o da coerência seria para o Luís Delgado).
Finalmente, o grande VENCEDOR DOS VENCEDORES. E o prémio vai para... PORTUGAL.
A abstenção diminuiu.
A confiança nacional parece ter sido reconquistada.
O ciclo PSD + CDS/PP chegou ao fim.
Os fatos de riscas de Paulo Portas vão deixar de aparecer tanto nos ecrãs.
A esperança voltou.
Só esperamos que, depois da euforia, não voltemos ao mesmo.
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